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13 agosto 2017

DISTRITO FEDERAL - Funcionária transexual é demitida após denunciar agressão e discriminação

'Sempre busquei a ajuda da empresa e não encontrei', disse jovem. Dono da loja não compareceu à reunião de conciliação e denúncia será levada à Justiça.

               Após denunciar discriminação, agressão física e assédio moral, uma transexual de 23 anos disse que foi demitida da empresa em que trabalhava como vendedora em um shopping no Lago Sul-DF, no Distrito Federal

               Johnnatan Abreu de Queiros Silva, que está em fase de transição e logo se chamará Nicolle, disse que a dispensa ocorreu duas semanas depois que ela procurou a direção da empresa para relatar um caso de agressão por parte de um funcionário.

               Ela contou ao G1 que a discriminação começou logo que entrou na empresa, em meados do ano passado. 

“Na semana em que cheguei na empresa uma funcionária me alertou que tinha um rapaz muito preconceituoso e machista. 
Desde os primeiros momentos, eu ouvi piadinhas e ele rindo da minha cara. 
Eu deixava passar porque eu precisava do emprego para pagar o aluguel e a faculdade”.

“Uma vez, o rapaz que me agrediu disse que eu não era homem porque meu pai não me bateu o suficiente.”

               A situação mais grave ocorreu quando ela levou dois chutes do colega de trabalho. Nicole diz que caminhava em direção a um cliente quando o outro vendedor tomou sua frente. Ela estava com uma cesta de plástico nas mãos e empurrou o suposto agressor com o objeto. 

“Depois que empurrei, ele me chutou forte na perna. Fiquei sem reação, porque isso nunca tinha acontecido comigo. 
Aí joguei a cesta nele e ele me chutou de novo”
               Lembra.

“Fui para o banheiro chorar e ver se ele tinha me machucado muito. 
Ficou muito vermelho no lugar.”

               Nicole disse que recorreu à gerência da loja e contou o ocorrido. Nada foi feito sobre o assunto e o homem, segundo ela, não teve punição. Ela diz que também mandou um e-mail para a central da empresa relatando a situação, mas não teve resposta. 
               O G1 tentou contato com a Bio Mundo para comentar o caso.

“A agressão foi o resultado de tudo que passei antes. 
Os comentários e piadas preconceituosas. 
Sempre busquei a ajuda da empresa e não encontrei”.


               Depois do episódio, ela procurou ajuda no setor de psicologia da faculdade em que estuda. Lá, foi orientada a procurar o Conselho de Direitos Humanos do DF e relatar o caso. O conselho recebeu, analisou a denúncia e convocou o dono da empresa para uma conciliação.

               O proprietário não compareceu à reunião, marcada para Sexta-feira (170811), e por isso não houve acordo entre as partes. Ele mandou um advogado como representante. 

“A gente iria propor que a empresa recontratasse a funcionária, como ela mesma sugeriu, e fizesse uma oficina para capacitar os colaboradores em como tratar a clientela LGBT e os colegas”
               Disse o presidente do conselho, Michel Platini.

               Como não houve acordo, Platini explica que a denúncia será encaminhada para a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência, onde a empresa será responsabilizada criminalmente.

               Com Informações de: G1.

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JISOHDE FOTOGRAFIAS

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