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26 janeiro 2020

RÚSSIA - Briga com Polônia sobre Holocausto se acirra antes de aniversário da libertação de Auschwitz

O 75º aniversário da libertação de Auschwitz, segundo analistas, vem sendo ofuscado por uma briga político-histórica que deixa em segundo plano o destino das vítimas do extermínio nazista.


               A disputa entre entre a Rússia e a Polônia sobre a interpretação "correta" da História ganha mais um capítulo nesta Segunda-feira (200127), quando líderes mundiais se reúnem no antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, para celebrar os 75 anos da libertação do campo de extermínio nazista, ocorrida em 27 de Janeiro de 1945. 
               Mas o presidente russo, Vladimir Putin, não está na lista de convidados.

               Na Quinta-feira (200123), foi o presidente da Polônia, Andrzej Duda, o grande ausente do evento sobre a mesma data, realizado no Yad Vashem, em Israel, o memorial do Holocausto mais importante do mundo. O chefe de Estado polonês rejeitou o convite porque, diferentemente de Putin, não foi convidado para discursar.

“Não vejo razão para que o presidente da Rússia, o presidente da Alemanha, o presidente da França, os representantes do Reino Unido e dos Estados Unidos falem em tal lugar por ocasião deste grande aniversário e o presidente da República da Polônia não possa se expressar"
               Reclamou Duda, em entrevista à emissora polonesa TVP.

               O chefe de Estado polonês também se referiu às recentes declarações de Vladimir Putin, culpando a Polônia como corresponsável pelo início da Segunda Guerra Mundial. Duda afirmou que os comentários do líder russo "contradizem completamente a verdade histórica" e são uma tentativa de humilhar os poloneses e "falsificar a história da Segunda Guerra Mundial". 
               Ele lembrou que quase seis milhões de poloneses morreram na Segunda Guerra Mundial, sendo metade deles judeus poloneses.

"Porco antissemita"

               Nos últimos meses, o presidente russo tem repetidamente atacado a Polônia. Em Dezembro, durante uma reunião com a cúpula militar da Rússia, Putin relativizou o tratado de não agressão soviético-alemão, chamado Pacto Molotov–Ribbentrop, em que Alemanha nazista e a União Soviética dividiram entre si a Polônia e outros países.

               Putin acusou a Polônia de ter sido corresponsável pelo início da Segunda Guerra, afirmou que a atual liderança do país era antissemita, chamou de "escória” e “porco antissemita" o embaixador polonês no Terceiro Reich entre 1933 e 1939, Jósef Lipski, afirmando que o diplomata simpatizava com o regime de Hitler. Em uma reunião com veteranos da Segunda Guerra Mundial, Putin disse que a Rússia "calaria a boca de quem quiser reinterpretar a História".

               Na Polônia, os comentários de Putin ganharam as capas dos jornais e foram prato principal das reuniões de família durante as festas de fim de ano. 
               As tiradas do chefe do Kremlin conseguiram uma coisa que há muito não era vista na conturbada paisagem política do país: colocaram oposição e governo do mesmo lado, contra um inimigo comum.

               Os recentes ataques de Putin a Varsóvia começaram após o Parlamento Europeu adotar em Setembro uma resolução condenando o pacto entre Hitler e Stalin. O texto afirma que, através do acordo, dois regimes totalitários dividiram entre si a Europa e outros Estados independentes segundo esferas de interesse, abrindo caminho para a Segunda Guerra Mundial.

               Em 2009, o então primeiro-ministro polonês Donald Tusk e Vladimir Putin ainda concordavam que os dois países teriam que superar o difícil legado do passado e lutar para se aproximarem. 

               Naquele ano, durante o 70º aniversário do início da Segunda Guerra, Putin afirmou que o Exército Vermelho libertou a Polônia dos nazistas mas não pôde levar a liberdade, porque ele próprio também não era livre.

Interpretação "correta" da História

               De lá para cá, o cenário mudou. A maneira como a História é tratada se transformou radicalmente tanto na Rússia e como na Polônia nos últimos 10 anos, ganhando carregados matizes políticos e nacionalistas. Desde a chegada ao poder do governo de ultra-direita do Partido Lei e Justiça - PiS, o governo polonês tenta impor sua interpretação "correta", negando o papel do antissemitismo polonês durante o Terceiro Reich e a participação polonesa no Holocausto.

               Um exemplo é a chamada "Lei do Holocausto", que entrou em vigor em 2018, prevendo punição para quem afirmar que a Polônia foi corresponsável pelos crimes alemães no período do nazismo. A lei provocou críticas domésticas e no exterior, sobretudo de Israel e dos EUA.

               Putin, por sua vez, promove nos últimos anos a glorificação da vitória da “grande nação russa” sobre o fascismo de Hitler há 75 anos, usando a narrativa histórica da “grande guerra patriótica” como estratégia para contrabalançar o descontentamento da população em tempos difíceis, deixando de lado passagens controversas envolvendo o regime soviético, principalmente no período em que Stalin e Hitler foram aliados.

               Durante o evento no Yad Vashem, em Israel, Putin optou por um discurso contido, sem ataques a Varsóvia, o que foi comemorado como uma “vitória da diplomacia polonesa” pelo setor governista da mídia da Polônia.

               O 75º aniversário da libertação de Auschwitz, segundo analistas, vem sendo ofuscado por uma briga político-histórica que deixa em segundo plano o destino das vítimas do extermínio nazista.

               Com Informações de: G1.

11 abril 2019

ISRAEL - Missão israelense fracassa com queda da nave Beresheet na Lua

Programa custou cerca de US$100.000.000,00 (R$380.000.000,00) e tinha duas metas: ser a primeira missão espacial privada e a primeira nave de Israel a pousar na Lua.

                 A nave israelense Beresheet não conseguiu pousar na Lua nesta Quinta-feira (190411), após uma série de falhas em um de seus motores. Ela chegou à superfície da Lua, mas não conseguiu realizar um “pouso suave”, e terminou se chocando contra o astro. A missão custou cerca de US$100.000.000,00 (R$380.000.000,00), o que é considerado pouco para esse tipo de projeto.

Primeira missão privada pode abrir caminho para exploração espacial mais barata


                 Essa foi a primeira missão espacial privada organizada com esse objetivo, com supervisão da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). A nave tinha o tamanho aproximado de uma máquina de lavar louças.

                 Os primeiros relatos indicam que o motor principal da Beresheet falhou e, quando foi reiniciado, a nave já estava muito perto do solo lunar. 
                 Foi impossível fazer um pouso suave, como era previsto.

                 A princípio restavam dúvidas se a nave havia apenas perdido comunicação com a Terra ou se havia, de fato, caído. Mais tarde, a SpaceIL, organização sem fins lucrativos que coordena a operação junto com a Israel Aerospace Industries, confirmou no Twitter que o time israelense "chegou perto, mas não teve sucesso com o processo de pouso" na lua.


                 A organização também divulgou um selfie da Beresheet antes da queda. A foto foi tirada a cerca de 21 quilômetros da lua.

“Não conseguimos, mas certamente tentamos”
                 Disse o empresário Morris Kahn, um dos fundadores da SpaceIL, criada em 2011. 

                 Antes do início da missão, Kahn já havia dito que estava um pouco ansioso com o pouso, um dos momentos mais desafiadores da missão.

                 O gerente geral da operação, Opher Doron, da Israel Aerospace Industries, afirmou que chegar à lua “já foi uma conquista enorme”. Embora demonstrasse frustração, o time disse ter sido um sucesso ser o sétimo país a orbitar a lua e o quarto a chegar à sua superfície.

Sonda Beresheet, de Israel, é lançada para explorar a Lua

                 Antes deles, apenas missões de agências espaciais dos governos da antiga União Soviética, dos Estados Unidos e da China chegaram lá.

                 Quando a falha na aeronave foi confirmada, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu declarou: 

“Se você não tem sucesso na primeira vez, 
você tenta novamente."

                 Um grande evento foi montado para que autoridades e financiadores da SpaceIL assistissem ao pouso. 
                 A missão também vinha sendo transmitida pela internet.

                 Com Informações de: G1.


01 dezembro 2018

ESTADOS UNIDOS - Ex-presidente George H.W. Bush morre aos 94 anos

Pai do ex-presidente George W. Bush comandou o país entre 1989 e 1993. Intervenção dos EUA no Iraque durante guerra do Golfo marcou gestão.

                     O ex-presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush morreu aos 94 anos nesta Sexta-feira (181130). Chamado popularmente de "Bush pai" após a eleição do filho George W. Bush como presidente, o republicano foi o 41º presidente a ocupar a Casa Branca, entre 1989 e 1993.

                     O anúncio da morte foi feito por George W. Bush em um comunicado. 

"Jeb, Neil, Marvin, Doro e eu anunciamos com tristeza que, depois de 94 anos extraordinários, nosso querido pai morreu”
                     Afirmou. 
                     Não há ainda informações sobre o funeral do ex-presidente.

                     George H. W. Bush se destacou por ter decidido pela intervenção das forças norte-americanas no Iraque na guerra do Golfo, depois que as forças de Saddam Hussein invadiram o Kuwait.

                     Antes de ocupar a presidência, ele foi vice-presidente durante os oito anos da administração Reagan, diretor da CIA e congressista.


Infância e juventude

                     George Herbert Walker Bush nasceu em Milton, Massachusetts-EUA, em 12 de Junho de 1924. Pouco depois sua família, que era muito rica, se mudou para o subúrbio de Nova York, onde foi criado.

                     Bush estudou em escolas privadas, foi líder estudantil e, após se formar no ensino médio, alistou-se para servir na 2ª Guerra Mundial.

                     Aos 18 anos, tornou-se um dos mais jovens pilotos da história do país e serviu em 58 missões. Em uma delas, o avião em que estava foi derrubado por japoneses e teve que ser resgatado das águas do Pacífico por um submarino americano. Bush chegou ao cargo de tenente antes de ser liberado com o fim da guerra.


Casamento e vida pessoal

                     Em 1945, casou-se com Barbara Pierce. O casal teve seis filhos: George, Robin (que morreu ainda criança), John (conhecido como Jeb), Neil, Marvin e Dorothy. Ficaram casados por 73 anos até a morte da ex-primeira-dama, em 17 de Abril de 2018.

                     Cursou economia na Universidade Yale, formando-se com louvor em 1948. No mesmo ano, se mudou para o Texas e começou a trabalhar na indústria do petróleo do estado, criando uma carreira lucrativa: fundou uma empresa exploradora em 1951 e, na década de 1960, já presidente de outra companhia, tornou-se milionário.

Carreira política

                     Filho do senador Prescott Bush (eleito por Connecticut, em 1952), Bush se filiou ao Partido Republicano, de perfil mais conservador e economicamente liberal.

                     Em 1967, tornou-se deputado pelo Texas-EUA e ficou no cargo durante duas gestões, até 1970. Entre 1971 e 1974, serviu como embaixador na ONU e passou 14 meses como representante na China. Entre 1976 e 1977, foi diretor da CIA, o serviço de inteligência norte-americano.

                     Em 1980, Bush tentou se candidatar à presidência, mas perdeu e foi escolhido como vice na chapa do republicano Ronald Reagan. Em seu mandato como vice, de 1981 a 1989, Bush era responsável por programas antidrogas e fez visitas diplomáticas a dezenas de países.

Presidência

                     Em 1988, foi nomeado candidato à presidência pelo Partido Republicano. Em uma campanha pesada, com ataques pessoais dos dois lados, Bush derrotou o democrata Michael Dukakis. O republicano teve 54% dos votos populares e 426 dos 537 dos votos do colégio eleitoral.

                     Presidente dos EUA durante o fim da Guerra Fria, seu mandato foi marcado por profundas mudanças na geopolítica, como o desmantelamento da União Soviética.

                     A política externa teve papel central em seu mandato. Em Dezembro de 1989, Bush autorizou o envio de tropas ao Panamá para depor o general Manuel Noriega.

                     Entre 1990 e 1991, o país enviou tropas com apoio da ONU para remover soldados de Saddam Hussein que invadiram o Kuwait, durante a chamada Primeira Guerra do Golfo. Quando os soldados foram retirados, ele optou pelo fim da operação militar e não perseguiu Hussein.

                     Em sua política doméstica, Bush ostentava a promessa de não aumentar impostos, mas chegou a aprovar esta medida em uma tentativa de reduzir o déficit do país.

                     Bush foi alvo de muita atenção da mídia quando, em 1992, vomitou e em seguida desmaiou durante um jantar diplomático no Japão, com a presença de mais de 100 diplomatas. 
                     A cena foi filmada e repercutiu internacionalmente.

                     O republicano tentou a reeleição e foi derrotado pelo democrata Bill Clinton na eleição de 1992.

Aposentadoria

                     Após deixar a presidência, ele se aposentou da vida política, mas participou de campanhas para arrecadar dinheiro para vítimas de calamidade pública, como o Furacão Katrina em 2005, e o Furacão Harvey, em 2017. 

                     Neste último caso, participou da iniciativa One America Appeal, ao lado de outro quatro ex-presidentes dos EUA: Jimmy Carter, Bill Clinton, seu filho George W. Bush e Barack Obama.

                     Em 2011, recebeu de Barack Obama a Medalha da Liberdade, maior honraria que pode ser concedida a um civil no país.


Saúde

                     George H.W. Bush sofria de Parkinson, doença que há muitos anos o impedia de caminhar. Mesmo em cadeira de rodas, o ex-presidente continuou fazendo diversas aparições públicas, mas sua saúde foi se tornando cada vez mais frágil.

                     Em Novembro de 2012, foi internado e passou quase dois meses hospitalizado por causa de uma bronquite, chegando a passar o Natal no hospital. Em Dezembro de 2014, voltou a ter problemas respiratórios e retornou ao Houston Methodist Hospital.

                     Em Julho de 2015, foi tratado em um hospital do Maine após quebrar um osso no pescoço como consequência de uma queda e, em 2017, teve duas internações por pneumonia, uma em Janeiro e outra em Abril.

                     Em 2018, foi internado no dia 22 de Abril, com um quadro de infecção, um dia após o funeral de sua esposa, Barbara.

                     Com Informações de: G1.

26 novembro 2016

CUBA - Fidel Castro, ex-presidente morre aos 90 anos

Cuba declarou 9 dias de luto oficial pela morte de Fidel Castro.
Líder da Revolução Cubana foi figura internacional polêmica por décadas.


              O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, morreu à 1:29 horas (hora de Brasília) deste Sábado (161126), aos 90 anos, na capital Havana. A informação foi divulgada pelo seu irmão Raúl Castro em pronunciamento na TV estatal cubana.

"Com profunda dor compareço para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro do 2016, às 22:29 horas, faleceu o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz"
              Disse Raúl Castro.

"Em cumprimento da vontade expressa do companheiro Fidel, seus restos serão cremados nas primeiras horas"
              Deste Sábado, prosseguiu o irmão.

              As cinzas serão enterradas em 4 de dezembro, na cidade de Santiago de Cuba, após percorrerem o país numa caravana de 4 dias. Cuba declarou 9 dias de luto oficial pela morte de Fidel Castro.


Figura controversa
              Visto como um grande líder revolucionário por uns, e como ditador implacável por outros, Fidel foi saindo de cena progressivamente ao longo da última década, morando em lugar não divulgado e fazendo aparições esporádicas nos últimos anos.

              As últimas imagens de Fidel Castro são do dia 15, quando recebeu em sua residência o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang. Antes, ele foi visto em um ato público foi no dia 13 de agosto, na comemoração de seu 90º aniversário. A festa reuniu mais de 100.000 pessoas. Na época, Fidel apresentou um semblante frágil, vestido com um moletom branco e acompanhado pelo seu irmão Raúl e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.


Despedida
              Em abril, durante o XVII Congresso do Partido Comunista de Cuba, Fidel reapareceu e fez um discurso que soou como uma despedida, onde reafirmou a força das ideias dos comunistas.

"A hora de todo mundo vai chegar, mas ficarão as ideias dos comunistas cubanos, como prova de que neste planeta se trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam, e devemos lutar sem descanso para isso"
              Afirmou Fidel Castro na ocasião.

              Desde que ficou doente, em julho de 2006, e cedeu o poder ao seu irmão Raúl Castro, o líder cubano se dedicou a escrever artigos, assim como livros sobre sua luta na Sierra Maestra e a receber personalidades internacionais em sua residência, no oeste de Havana.


Doença e saída do poder
              Na noite de 31 de julho de 2006, Fidel Castro surpreendeu Cuba e o mundo com o anúncio de que cedia o poder ao irmão Raúl, em caráter provisório, depois de sofrer hemorragias. Foi a primeira vez que saiu do poder.

              Sem revelar qual doença o afetava, Fidel admitiu que esteve à beira da morte. Perdeu quase 20 quilos nos primeiros 34 dias de crise, passou por várias cirurgias e dependeu por muitos meses de cateteres.

              Em dezembro de 2007, o comandante cubano já havia expressado em uma mensagem escrita que não estava aferrado ao poder, nem obstruiria a passagem das novas gerações, mas em janeiro foi eleito deputado e ficou tecnicamente habilitado para uma reeleição – o que não ocorreu.

              Desde março de 2007, já afastado do cenário público, sendo visto apenas em vídeos e fotos, Fidel Castro se dedicava a escrever artigos para a imprensa sob o título de "Reflexões do Comandante-em-Chefe".

              Fidel deixou o poder definitivamente em fevereiro de 2008. Em um texto publicado no jornal estatal “Granma”, ele anunciou sua renúncia.


Trajetória
              Fidel nasceu em 13 de agosto de 1926, na província de Holguín, sul de Cuba, e foi batizado durante a infância de Fidel Hipólito. Sua mãe trabalhava para a mulher de seu pai, o bem sucedido latifundiário espanhol Ángel Castro.

              Apenas quando Fidel era adolescente seu pai se separou da primeira mulher e assumiu a família com a mãe de Fidel, Lina Ruz Gonzalez, com quem teve outros cinco filhos. Nesta época, Fidel foi assumido oficialmente pelo pai e recebeu o nome de Fidel Alejandro Castro Ruz.

              Apesar de não ter sido registrado pelo pai na infância, Fidel cresceu estudando em escolas particulares e em meio a um ambiente de riqueza bastante diferente da pobreza do povo cubano.

              Bastante inteligente, o jovem era mais interessado nos esportes do que nos estudos. Mesmo assim, o líder cubano iniciou seus estudos na Universidade de Havana em 1945, onde conheceu o nacionalismo político cubano, o anti-imperialismo e o socialismo, e se formou em direito em 1950.

              Em 1948, Fidel viajou para a República Dominicana em uma expedição para tentar derrubar o ditador Rafael Trujillo, que foi fracassada.

              Ao voltar para a faculdade, ele se juntou ao Partido Ortodoxo, fundado para acabar com a corrupção no país.

Casamentos
              No mesmo ano, Fidel se casou com Mirta Diaz Balart, de uma rica família cubana. Eles tiveram apenas um filho, Fidelito. O casamento com Mirta acabou em 1955. Durante a união, ele teve um relacionamento com Naty Revuelta, com quem teve uma filha, Alina Fernández-Revuelta. Em 1993, ela fugiu da ilha se fazendo passar por uma turista espanhola. Alina pediu asilo nos Estados Unidos e passou a fazer fortes críticas a seu pai.

              Com sua segunda mulher, Dalia Soto del Valle, Fidel teve outros cinco filhos homens cujos nomes começam com a letra "A": Alexis, Alexander, Alejandro, Antonio e Ángel.

              Além da filha Alina, uma das irmãs de Fidel, Juanita Castro, também se mudou para os EUA, no início da década de 1960.


Revolução
              Durante o casamento, Fidel teve contato com as famílias ricas de Cuba, e se candidatou a um posto no parlamento. Entretanto, o golpe do general Fulgêncio Batista derrubou o governo da época e cancelou as eleições.

              Junto com outros membros do Partido Ortodoxo, Fidel organizou uma insurreição. Em 26 de julho de 1953, cerca de 150 pessoas atacaram o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em uma tentativa de derrubar Batista. O ataque falhou e Fidel foi capturado. Após julgamento, ele foi condenado a 15 anos de prisão. Entretanto, o incidente o tornou famoso no país.

              Em 1955, Fidel foi anistiado, e fundou o movimento 26 de Julho, de oposição ao governo. Nessa época, ele se encontrou pela primeira vez com o revolucionário Ernesto ‘Che’ Guevara e se exilou no México.

              Em 1957, junto com Guevara e mais 79 expedicionários, chegou a Cuba a bordo de um navio e tentou derrubar o presidente, mas foi surpreendido pelo Exército e derrotado. Fidel, seu irmão Raúl e Che conseguiram escapar e se refugiaram na Sierra Maestra, onde travaram combates com o governo.

              Em 30 e 31 de dezembro de 1958, as vitórias revolucionárias assustaram Batista, que fugiu de Cuba e foi para a República Dominicana. Aos 32 anos, Fidel conseguiu o controle do país.

Reforma para o comunismo
              Um novo governo foi criado, e Fidel assumiu como primeiro-ministro em 1959, após a renúncia de Jose Miro Cardona. Nesta época, foram iniciadas as relações com a então União Soviética.

              O líder passou então a sua reforma para o comunismo. Em 1960, Fidel nacionalizou a indústria açucareira de Cuba, sem pagar indenizações. Três anos depois ele estatizaria as fazendas, ampliando a reforma agrária.

              Em 1961, o governo proclamou seu status socialista. Houve uma fuga em massa dos ricos do país para Miami, nos Estados Unidos, que rompem as relações diplomáticas com Cuba.

Crise com os EUA
              Em abril, Castro formalizou Cuba como um estado socialista. No dia seguinte, cerca de 1,3 mil exilados cubanos apoiados pela CIA atacaram a ilha pela Baía dos Porcos, em uma tentativa de derrubar o governo.

              O ataque foi um fracasso – centenas de pessoas foram mortas e quase mil capturadas. Os EUA negaram seu envolvimento, mas revelaram que os exilados foram treinados pela CIA. Décadas depois, o país confirmou que a ação vinha sendo planejada desde 1959.

              O incidente fez Castro consolidar seu poder. Em maio do mesmo ano, ele anunciou o fim das eleições democráticas no país e denunciou o imperialismo americano. Che Guevara assumiu o Ministério da Indústria.

              Em 1962, os EUA ordenaram o bloqueio econômico total à ilha, isolando o regime, uma política que se seguiu até a atualidade.

              Fidel passou a intensificar sua relação com a União Soviética, aceitando financiamento e ajudas militares. Em outubro de 1962, o país concebeu a ideia de implantar misseis nucleares em Cuba, gerando uma crise com os EUA e quase uma guerra nuclear.

              Dias depois, o premiê soviético concordou em remover os mísseis com o comprometimento americano de não invadir Cuba. Castro foi deixado de lado nas negociações.

Governo
              Em 1965, Che deixa o país para expandir a revolução. Dois anos depois, ele foi assassinado na Bolívia, deixando Fidel como único rosto da revolução.

              Ainda em 1965, Fidel se posicionou como líder do Partido Comunista cubano. Pouco a pouco, ele começou uma campanha para apoiar a luta armada contra o imperialismo na América Latina e na África.

              Apesar do comprometimento dos EUA de não invadir a ilha, houve ataques de outras formas, como o bloqueio econômico e centenas de tentativas de assassinato contra Fidel ao longo dos anos. Fidel chegou a dizer que se escapar de tentativas de assassinato fosse um esporte olímpico, ele teria ganhado medalhas de ouro.

              Durante seu governo, Fidel investiu na educação – foram criadas cerca de 10 mil novas escolas, e a alfabetização atingiu 98% da população. Os cubanos têm um sistema de saúde universal, que reduziu a mortalidade infantil para 11 a cada mil nascidos vivos.

Execuções e prisões
              Entretanto, as liberdades civis foram confiscadas. Sindicatos perderam o direito de realizar greves, jornais independentes foram fechados e instituições religiosas perseguidas. Castro removeu seus opositores com execuções e prisões, além do exílio forçado.

              Centenas de milhares de cubanos fugiram do país ao longo das décadas, muitos seguindo para a Flórida, bastante próxima da costa da ilha. A maior saída ocorreu em 1980, quando o governo anunciou a autorização de saída, e 125.000 mil pessoas deixaram Cuba – 15.000 mil delas se jogaram ao mar amarradas e canoas, pneus e botes.

              Em 1986, instituições de defesa dos direitos humanos realizaram em Paris o “Tribunal de Cuba”, onde ex-prisioneiros da ditadura deram seu testemunho. Entidades calculam que cerca de 12.000 mil pessoas morreram nas mãos do governo.

              Em 1989, com a queda do muro de Berlin, a União Soviética retira seus 7.000 mil militares da ilha e acaba com a ajuda comercial à Cuba.

              Em 1996, Cuba bombardeia dois aviões civis pilotados por exilados cubanos em Miami, retomando as tensões com os EUA. No ano seguinte, Fidel apontou seu irmão, Raúl, como seu sucessor.

              Em 2002, os EUA criam uma prisão para suspeitos de terrorismo em uma base militar Guantánamo, no território cubano. O então presidente George W. Bush inclui o país na lista dos que apoiam o terrorismo.


Segredos
              Desde que caiu doente e entregou o poder provisoriamente a Raúl, Fidel deixou claro que sua doença era um assunto delicado e não um assunto de domínio público.

"Devido aos planos do império (EUA), meu estado de saúde se converte em um segredo de Estado a respeito do qual não se pode ficar constantemente divulgando informações"
              Afirmou.

              Os segredos em torno do ex-dirigente são guardados com tanto afinco que não se conhecia nem mesmo o local onde Fidel se recuperava.

              Conta-se que, durante anos, Fidel jamais dormiu duas noites no mesmo lugar.

              Ele circulava por Cuba em uma caravana com três carros Mercedes Benz pretos idênticos, e a presença dele nas cúpulas realizadas no exterior nunca está 100% confirmada antes de sua chegada.

              Até a ideologia comunista dele foi objeto de mistério nos primeiros anos da revolução.
              Diferentemente de outros líderes mundiais, a vida privada de Fidel não comparece aos jornais.

              O único dos filhos dele que ocupou um cargo público é Fidel Castro Diaz-Balart, o "Fidelito", um engenheiro nuclear que trabalhou como assessor científico do Conselho de Estado.

              Fidel nunca abandonou suas ideias sobre estratégia militar.

              Em 1953, quando organizou o ataque contra o quartel Moncada, em Santiago de Cuba, sua primeira e desastrosa ação militar, quase todos os seus companheiros só ficaram sabendo do objetivo da investida no último minuto.


              Com Informações de: G1.

JISOHDE FOTOGRAFIAS

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