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17 setembro 2020

RÚSSIA - As incríveis imagens do urso da idade do gelo encontrado praticamente intacto


                 Pastores de renas no Ártico russo desenterraram os restos perfeitamente preservados de um urso da idade do gelo, informou a Universidade Federal do Nordeste da Rússia - NEFU na última Segunda-feira (200913).
                 A curiosa descoberta foi divulgada no Twitter nesta Quinta-feira (200917).

                 O urso foi exposto pelo derretimento do permafrost nas ilhas Lyakhovsky, parte do arquipélago das Novas Ilhas Siberianas, no Nordeste da Rússia.

                 Com os dentes e o nariz intactos, acredita-se que o urso seja uma espécie de urso-pardo que viveu de 22.000 a 39.500 anos atrás.

                 Seus restos mortais serão estudados na NEFU, localizada na cidade de Yakutsk, no leste da Rússia.


Com tecido mole

                 Lena Grigorieva, pesquisadora de Paleontologia do NEFU, disse à BBC que o animal seria um antigo parente do urso-pardo, uma espécie que vive hoje na Eurásia e na América do Norte.

                 Cientistas da universidade, conhecidos por suas pesquisas com mamutes-lanosos e outras espécies pré-históricas, acreditam que a descoberta não tem precedentes.

                 Grigorieva disse que o urso foi "a primeira e única descoberta desse tipo" a ser recuperada inteira com "tecido mole", de acordo com um comunicado da NEFU.

"Ele está completamente preservado, com todos os órgãos internos no lugar, até o nariz"
                 Disse Grigorieva.


"Anteriormente, apenas crânios e ossos haviam sido encontrados. Esta descoberta é de grande importância para todo o mundo"
                 Acrescentou.

                 A universidade também disse que vai convidar outros cientistas russos para participar do estudo, com mais detalhes a serem anunciados em breve.

                 Agora, "é necessário fazer uma análise de radiocarbono para determinar a idade precisa do urso", acrescentou a universidade, citando Maxim Cheprasov, pesquisador do laboratório do Museu Yakutsk Mammoth.

Mais descobertas

                 Além desse urso, o cadáver preservado de um filhote também foi encontrado na região de Yakutia, no extremo leste da Rússia, de acordo com a NEFU.


                 Em 2019, um filhote de 18.000 anos foi encontrado perfeitamente preservado, com dentes e pelo, no permafrost da Sibéria.

                 Com Informações de: BBC.

02 maio 2020

ÁRTICO - Buraco na camada de ozônio se fechou conforme ESA


               Com o aumento da temperatura na região e a consequente diminuição na força do vórtice polar de ar frio que vinha se acumulando ao longo dos meses, a camada protetora da Terra conseguiu se curar.

               Um buraco na camada de ozônio, que surgiu no Ártico em Março deste ano, está "curado" de acordo com dados coletados pelo Satélite Copernicus, da Comissão Europeia. O fenômeno, que é raro nos céus da região, foi o maior já registrado e era quase tão grande quanto o que se forma anualmente sobre a Antártica.

               A camada de ozônio age como filtro solar para a Terra, protegendo o planeta da radiação ultravioleta prejudicial aos seres vivos. A descoberta do buraco na camada de ozônio da Antártica estimulou um esforço global para reduzir o uso de produtos químicos nocivos que contribuem para a abertura, especialmente os clorofluorcarbonos - CFC.

               O buraco no Ártico, de acordo com os pesquisadores, não está relacionado à atividade humana, mas ao que a Agência Espacial Europeia - ESA chamou de "condições atmosféricas incomuns" para o Hemisfério Norte, incluindo um poderoso vórtice polar de ar frio que, quando diminuiu de força, permitiu que o buraco fosse capaz de se fechar.

"O esgotamento do ozônio no Ártico em 2020 foi tão grave que a maior parte do ozônio na camada a uma altitude de cerca de 18 km foi esgotada"
               Explicou o Serviço Europeu de Monitoramento da Atmosfera, em comunicado.

               O buraco na camada de ozônio na Antártica é causado principalmente por produtos químicos produzidos pelo homem, incluindo cloro e bromo, que migram para a estratosfera (entre 10 km e 50 km acima do nível do mar). Esses produtos químicos se acumulam dentro do forte vórtice polar que se desenvolve sobre a Antártica todo inverno, onde permanecem quimicamente inativos.

               As temperaturas nesse vórtice podem cair abaixo de -78 °C e as nuvens estratosféricas polares podem se formar, desempenhando um papel importante nas reações químicas com as substâncias produzidas pelo homem e que levam ao esgotamento do ozônio.

               A estratosfera do Ártico é geralmente menos isolada, porque a presença de massas terrestres e cordilheiras próximas modifica os padrões climáticos de maneira mais drástica do que no Hemisfério Sul. Isso explica por que o vórtice polar no Hemisfério Norte é geralmente mais fraco e as temperaturas não caem tão baixo.

               Em 2020 isso foi diferente, e o vórtice polar do Ártico foi excepcionalmente forte, além de mais duradouro. Soma-se a isso temperaturas mais baixas por vários meses seguidos na estratosfera do Ártico e maior formação de nuvens estratosféricas polares, resultando em grandes perdas de ozônio.


               Enquanto o buraco no Ártico está se curando, o buraco na Antártica continua sendo uma preocupação. A NASA anunciou em 2018 a primeira prova direta de recuperação de ozônio devido à proibição de produtos químicos. O buraco de 2019 foi o menor já registrado, mas o processo de cicatrização ainda deve levar décadas.


               Com Informações de: Olhar Digital.

20 janeiro 2020

GROENLÂNDIA - Por que este território da Dinamarca, se tornou centro de disputa estratégica entre EUA e China

Ilha no Ártico ganhou holofotes no ano passado depois que Trump afirmou que o governo americano tinha interesse em comprar território.


               A Groenlândia não está acostumada a ser o centro das atenções, mas no ano passado foi destaque na primeira página de jornais de todo o mundo.

              Isso aconteceu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a notícia de que seu governo queria comprar a ilha no Ártico, que, apesar de ser autônoma, pertence à Dinamarca.

              O governo dinamarquês respondeu imediatamente que a Groenlândia não estava à venda, o que causou um mal estar diplomático.

              A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou a intenção de Trump como "absurda", o que levou o presidente americano a responder que os comentários dela eram "desagradáveis".


              No entanto, as duas partes logo resolveram suas diferenças, e os Estados Unidos anunciaram uma política diferente para aumentar sua presença e influência na Groenlândia: Abrir um consulado ali, mais para o fim do ano.

              Será a primeira representação diplomática no território desde 1953, embora os Estados Unidos continuem a administrar uma instalação militar no norte da Groenlândia, a Base Aérea de Thule.


              A China também demonstrou interesse em estreitar laços econômicos com a Groenlândia. Mas, afinal, por que esta ilha começou a despertar tanto interesse de repente?

              E o que o futuro consulado dos EUA pode significar para a economia da Groenlândia e o movimento de independência do território?

              Antes de responder essas perguntas, é importante saber um pouco mais sobre a ilha.


Um vasto território congelado

              A Groenlândia é a maior ilha do mundo, se considerarmos a Austrália um continente.

              Localizada sobretudo dentro do Círculo Polar Ártico, tem cerca de três quartos do seu território cobertos permanentemente por uma camada de gelo.

              Com uma população de aproximadamente 56.000 habitantes, é o território menos densamente povoado do planeta.

              Um terço das pessoas vive na capital, Nuuk, e não há estradas para as outras cidades que circundam a costa. Em vez disso, você precisa pegar um voo ou ir de barco, o que geralmente não é possível durante o inverno.

              A ilha é um território autônomo da Dinamarca desde 1814.

              E conta com um Parlamento próprio para lidar com assuntos internos, enquanto o Parlamento dinamarquês em Copenhague, no qual a Groenlândia tem dois representantes, cuida das questões internacionais.

              Atualmente, a economia da Groenlândia depende de duas coisas: da pesca, que representa 95% de suas exportações, e de um subsídio anual do governo dinamarquês. Esse subsídio totaliza C$3.900.000.000,00 de coroas dinamarquesas (cerca de R$2.400.000.000,00) e fornece mais da metade do orçamento anual do governo da Groenlândia.


Localização estratégica

              Os analistas dizem que há duas razões pelas quais os Estados Unidos e a China estão de olho na Groenlândia: econômica e geoestratégica.
              E ambas estão ligadas às mudanças climáticas.

              Economicamente, a Groenlândia possui um dos maiores depósitos dos chamados metais de terras raras, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, cada vez mais utilizados na fabricação de telefones celulares, computadores e carros elétricos.

              E estrategicamente, o país está localizado entre América do Norte, Europa e Rússia.

              As mudanças climáticas e as temperaturas cada vez mais quentes tornam mais fácil tanto extrair esses metais como navegar pelo Oceano Ártico, seja em um navio de carga ou em um navio militar.

              O geólogo dinamarquês Minik Rosing diz que a Groenlândia esconde muito mais tesouros em seu subsolo.

"Também tem minério de ferro... mina de rubi... ouro... platina."


"E as mudanças climáticas tornam a navegação muito mais fácil (nessa região)"
              Acrescenta.

              Rosing adverte, no entanto, que os longos invernos do Ártico ainda limitam seriamente a atividade de mineração na Groenlândia:


"(Ali) Você não pode trabalhar em uma mina 12 meses por ano, só consegue trabalhar três meses por ano mais ou menos."


"Isso significa que qualquer investimento feito em minas ficará inativo por muitos meses, e isso dificulta as coisas. Uma mina pode levar até 50 anos antes de ter uma produção decente"
              Completa.

              Sendo assim, em vez de razões econômicas, Rosing acredita que os Estados Unidos estejam de olho na Groenlândia mais por causa de sua crescente importância estratégica.

"Acho que a maior parte do interesse dos EUA se deve a razões estratégicas, eles simplesmente querem estar presentes"
              Avalia. 

"Os minerais desempenham um papel menor nisso."

E o consulado americano?

              Embora o governo da Dinamarca tenha se recusado a comentar esta reportagem, o deputado dinamarquês Soren Espersen, da oposição, diz ter receio de que o consulado dos EUA na Groenlândia fortaleça os movimentos de independência do território.

              Atualmente, as pesquisas de opinião sobre o assunto são inconclusivas, algumas sugerem que até 64% da população quer que o território se separe da Dinamarca, enquanto outras apontam que esse percentual seria de 38%.

"Os americanos querem estar prontos para quando a Groenlândia declarar sua independência"
              Diz Espersen, do Partido Popular Dinamarquês, de direita.


"Os americanos estão colocando combustível no desejo de independência da Groenlândia"
              Acrescenta.

              Diante deste cenário, o parlamentar espera que o governo dinamarquês se empenhe mais para mostrar que é "mais importante" manter a Groenlândia.
              Espersen tampouco quer ver a China, sua influência ou presença no território.

              O governo dinamarquês parece estar de acordo com isso e, em 2017, concordou em construir dois novos aeroportos na Groenlândia, em vez de deixar o projeto nas mãos de uma empresa estatal chinesa.

              Aaja Chemnitz Larsen é um dos dois parlamentares da Groenlândia em Copenhague. Ela é membro do partido socialista Inuit Ataqatigiit, que defende a independência do território.

              Embora acredite que "é bom ter uma boa relação com os americanos", ela fica intrigada com a quantidade de funcionários que o futuro consulado dos EUA pode vir a ter.

"Estou preocupada porque provavelmente haverá mais diplomatas americanos nesse consulado do que temos no Departamento de Relações Exteriores da Groenlândia"
              Diz.

O receio dela é que a presença dos EUA possa se tornar dominante demais: "Poderíamos ser desbancados."

              A embaixada dos EUA em Copenhague não respondeu aos pedidos de comentário da BBC.

              Chemnitz Larsen acrescenta que, embora a independência da Groenlândia seja seu objetivo no longo prazo, ela não acredita que isso vai acontecer "ao dobrar a esquina".

"E acho que não devemos nos vender a quem paga mais, sejam os Estados Unidos ou a China, para sair da unidade do reino dinamarquês. Isso não é independência"
              Avalia.

              O economista dinamarquês Uffe Palludan concorda que a população da Groenlândia deveria estar preocupada diante da entrada excessiva de investimentos americanos ou chineses.

"Teria um enorme impacto desestabilizador na sociedade da Groenlândia"
              Alerta.

              Com Informações de: G1.

29 abril 2018

RÚSSIA - Lançamento da primeira usina nuclear flutuante

Apelidada de 'Chernobyl flutuante' por ativistas ambientais, a Akademik Lomonsov produzirá energia para um porto e plataformas extração de petróleo no Ártico.

                 A Rússia lançou neste Sábado (180428) uma nova usina nuclear. Com um detalhe: a estrutura não foi erguida sobre o solo, mas sim em uma estrutura flutuante para ser operada no mar.

                 Batizada como Akademik Lomonosov, a usina deixou ontem um estaleiro em São Petersburgo e iniciou uma longa jornada que vai terminar no Ártico.

                 Inicialmente, a usina vai atravessar o Mar Báltico, depois contornar a Noruega até chegar ao porto de Murmansk. Nesta última parada, os reatores nucleares serão abastecidos com combustível.

                 De lá, a estrutura vai ser rebocada por mais de 5 mil quilômetros até a costa ártica de Chukotka, próximo do Alasca-EUA. Em 2019, espera-se que a usina abasteça uma cidade portuária, plataformas de petróleo e uma usina de dessalinização.

                 A previsão é que os dois reatores forneçam eletricidade para um total de 200.000 pessoas no Porto de Pewek. 
                 Hoje a cidade tem apenas 4.000 habitantes.

                 O plano original era que a usina já deixasse São Petersburgo com os reatores abastecidos, mas queixas de vários países na rota da estrutura levou a empresa Rosatom, a estatal russa responsável pelos reatores, a abandonar o plano e optar pela parada em Mursmansk.


Uma Chernobyl flutuante?

                 Ambientalistas criticaram a usina marítima. O Greenpeace chegou a chamá-la de "Chernobyl flutuante", em referência ao desastre nuclear de 1986 que ocorreu na usina de Chernobyl, na Ucrânia então controlada pelos soviéticos.

                 Classificado como o pior acidente nuclear da história, o episódio provocou uma evacuação em massa e deixou vastas faixas da Ucrânia e da vizinha Bielorrússia inabitáveis. O Greenpeace também usou a expressão "Titanic nuclear” para criticar o projeto.

"Reatores nucleares flutuando no Oceano Ártico representam de maneira explícita uma ameaça óbvia a um ambiente frágil que já está sob enorme pressão pelas mudanças climáticas”
                 Disse Jan Haverkamp, especialista em energia nuclear do Greenpeace no Leste da Europa.


                 Segundo o especialista, a natureza da usina a torna especialmente vulnerável a acidentes.

"A usina nuclear flutuante vai operar perto da costa, em águas rasas. Ao contrário das afirmações sobre sua segurança, o casco chato no fundo e a falta de propulsão tornam a usina particularmente vulnerável a tsunamis e ciclones”
                 Disse Haverkamp.


                 Nos últimos anos, o aquecimento global resultou em um rápido derretimento do gelo do Ártico, que está abrindo novas rotas de navegação pelo Norte da Rússia.

                 A Rússia está aproveitando o fenômeno para explorar os ricos depósitos de petróleo e gás da Sibéria. O Kremlin também busca fortalecer sua presença militar na região.

                 Segundo o Greenpeace, a Empresa Rosatom pretende abrir uma verdadeira linha de montagem dessas usinas flutuantes e vendê-las para outros países. Potenciais compradores vêm sendo consultados na África e na América do Sul.

"Esse tipo de iniciativa perigosa não é apenas uma ameaça ao Ártico, mas, potencialmente, para regiões densamente habitadas ou com um ambiente natural vulnerável”
                 Completou Haverkamp.


                 Com Informações de: G1.

JISOHDE FOTOGRAFIAS

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