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20 outubro 2018

MÉXICO - Caravana de migrantes Exaustos e famintos, milhares de hondurenhos chegam ao México rumo aos EUA 'em busca de emprego e segurança'

Uma multidão está presa no bloqueio montado sobre a ponte que separa a Guatemala do México. Alguns caminham há dias, a maioria carrega apenas algumas mudas de roupa e água.

"Em Honduras, temos medo de morrer de fome ou assassinados pelas maras (gangues). Por isso, quando ouvi sobre a caravara de migrantes, decidi deixar tudo (e me juntar a ela)".

                 Antonio García é um dos milhares de hondurenhos que estão juntos em uma longa caminhada que tem como destino final os Estados Unidos. O grupo, que hoje soma cerca de 4.000 pessoas, saiu no último Sábado de San Pedro Sula, no norte de Honduras, país da América Central, e chegou na Sexta-feira (181019) à fronteira com o México.

                 Após momentos de tensão com policiais mexicanos, alguns conseguiram atravessar a fronteira, mas a maioria segue presa no bloqueio montado pelas autoridades.


Cada um deles tem uma história - e a maioria delas é dramática.

                 Nesta Sexta-feira, essas tragédias pessoais chegaram a Tecún Uman, na divisa entre México e Guatemala.

"México, México"
                 Diziam, em um coro alegre, na crença de que as autoridades mexicanas os deixariam seguir viagem rumo ao que acreditam ser uma vida melhor nos EUA.

                 Os migrantes, entre os quais idosos, crianças e mulheres grávidas, cruzaram a ponte sobre o Rio Suchiate, que separa os dois países, correndo, tomados pela euforia por terem finalmente deixado a Guatemala para trás.


No trajeto, uma grande placa verde lhes dava as boas vindas ao país.

                 O que eles não sabiam, contudo, era o que lhes esperava do outro lado: centenas de policiais mexicanos armados com escudos e cassetetes.

                 Houve confusão e empurra-empurra com as forças de segurança. Os oficiais lançaram gás lacrimogênio. 
                 Os migrantes, pedras.

                 O caos tomou conta por da situação por algum tempo. 
                 Houve pânico e algumas pessoas entraram em colapso nervoso.

"Minha menina desmaiou pelo cansaço, por medo e falta de ar, sufocada no meio de tanta gente"
                 Conta María García. 

                 Mãe solteira ela diz ter se unido ao grupo porque quer realizar o sonho da filha, de 9 anos, de ser pediatra - algo difícil em Honduras para as famílias de baixa renda como as dela, pondera.

                 Finalmente, a caravana rompeu a barreira de contenção, mas se viu mais uma vez bloqueada mais à frente, desta vez por grandes grades colocadas pelas forças de segurança para tomar o controle da situação e conter os migrantes.

                 A pobreza e a violência das maras, gangues que atuam em alguns países da América Central, são os dois motivos citados para ter deixado para trás seu país, sua família e tudo o que construíra.

"Só queremos um trabalho. 
É só o que pedimos. 
Somos gente de bem, mas no nosso país não há oportunidades"
                 Diz uma mulher que viaja com três filhos e que prefere não ter o nome revelado.

                 Ela afirma que em Honduras não encontra trabalho. 

"Além disso, o pouco que se ganha está sempre em risco de ser tomado pelas maras, isso se elas não te matarem. Já mataram meu irmão."

                 Francisca, uma vendedora ambulante que viaja com um dos cinco filhos, diz ser viúva porque membros da gangue mataram seu marido a pedradas.

"Eu quero chegar aos EUA para trabalhar e poder comprar o marcapasso de que meu pai precisa"
                 Conta entre lágrimas um dos migrantes que bem em frente às grades colocadas para impedir a entrada da caravana no México.

                 Muitos dizem que ficaram sabendo sobre a marcha pelos meios de comunicação hondurenhos e então decidiram juntar-se a ela. Alguns viajam já há uma semana. 
                 Outros começaram o percurso a poucos dias.


Presos na ponte

                 Exaustos e famintos, alguns estavam ali depois de caminharem centenas de quilômetros na chuva e no calor, comendo e dormindo como podiam. A maioria só leva o que pode carregar: algumas mudas de roupa e um pouco de água.

                 Muitos dizem ter sido bem tratados na Guatemala, onde chegaram a receber abrigo e comida.

"México, tenha humanidade, deixe-nos passar, não nos trate como os Estados Unidos faz com os mexicanos!"
                 Gritava, com um tom de voz que oscilava entre a raiva e o desespero, um homem trepado sobre as grades.

                 O México, contudo, está sob pressão do presidente americano, Donald Trump, que pediu, em um comentário no Twitter, que o país freasse a caravana.

                 No tuíte, Trump ameaçou fechar a fronteira americana caso o pedido não fosse atendido. Ele também afirmou que interromperia a ajuda econômica a Honduras, El Salvador e Guatemala, 

"que parecem não ter praticamente nenhum controle sobre suas populações".

                 As autoridades mexicanas declararam ter deixado passar aqueles que tinham visto, como é o procedimento padrão para cidadão hondurenhos, e afirmaram que darão início aos trâmites para aqueles que queiram solicitar refúgio.

                 Para agilizar esse processo, o país pediu ajuda à ACNUR, a agência das Nações Unidas para refugiados.

                 Mas são muitos os que não têm documentos e se veem obrigados a tentar desviar da imigração. Alguns dos mais jovens chegaram a pular da ponte para tentar atravessar a fronteira nadando.

                 O nível do Rio Suchiate, na temporada seca, chega a bater no joelho e pode ser atravessado a pé - por ora, ele está mais alto em alguns trechos por causa das chuvas. Saltar para a água é uma manobra perigosa, já que a ponte está a mais de 6 metros. 
                 Alguns dos que pularam saíram mancando.

                 A única mulher que saltou, uma estudante na faixa dos 20 anos de idade que preferiu não revelar o nome, diz que só quer "um trabalho digno, algo impossível de se conseguir em Honduras".


'Migrar não é crime'

"O México está levando a cabo uma política de contenção, de não deixar passar a maioria"
                 Explica à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, Edgar Corzo Sosa, da Comissão Nacional de Direitos Humanos.

                 No início, as autoridades deixaram passar 50 pessoas que haviam pedido refúgio. Depois, se chegou a um acordo para que mães e filhos fossem a um albergue em Tapachula, cidade próxima à fronteira. 

                 Para lá partiram seis ônibus lotados daqueles que concordaram em seguir para o abrigo, ainda que muitos desconfiem das autoridades mexicanas e temam ser deportados.

                 Corzo afirma que, "no México, migrar não é crime, é uma falha administrativa".

"Essa crise tem caráter humanitário. 
Antes de mais nada se devem proteger os direitos humanos."

                 Sua equipe avalia que essa é uma migração de dimensões "que não haviam sido vistas antes".
                 As horas passam e as necessidades dos migrantes aumentam. 

                 Muitos se preparam para dormir na ponte, ao relento. Nas últimas horas da Sexta-feira, o governo deu início ao chamado "Plan Marina" para dar assistência humanitária à pessoas - comida ou atendimento médico, por exemplo.

"Não vamos retroceder. Não podemos. Já deixamos tudo para trás em Honduras e lutamos pela única coisa que nos resta: a vida"
                 Diz, entre a multidão parada na ponte, Jorge Rodríguez.

                 Os migrantes que estão mais perto da cerca do lado mexicano se preparam para passar horas sem qualquer conforto. São tantos e estão tão juntos que têm que permanecer de pé: não há espaço sequer para sentar.

O choro de crianças e bebês é incessante.

"Por favor, precisamos passar, imploramos ajuda"
                 Se ouve do outro lado da cerca. 

                 Os policiais, que também estão cansados, têm mais espaço para se movimentar, alguns estão apoiados sobre os escudos.

Está escuro e começa a chover.

                 Com Informações de: G1.

07 agosto 2016

ORNITOLOGIA - Cambacica (Coereba flaveola)

Cambacica (Coereba flaveola)


              A Cambacica é um pássaro da Família dos Coerebidae, sendo a única espécie do Gênero Coereba. 
              Desde 1970 é a ave oficial das Ilhas Virgens Americanas e está presente em seu brasão.

CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA:
CLASSE: Aves,
ORDEM: Passeriformes,
FAMÍLIA: Coerebidae,
GÊNERO: Coereba,
NOME POPULAR: Cambacica e outros.
NOME CIENTÍFICO: Coereba flaveola

OUTROS NOMES:
Bananaquit (inglês),
Caga-sebo,
Cambacica,
Cazadorcita,
Mariquita,
Mielera,
Picaflor,
Pinchaflor,
Reinita,
Santa-marta,
Sebinho,
Sebito,

DESCRIÇÃO:
              A cambacica pesa em média 9,5 gramas, mede de 10,5 a 11,5 centímetros, tem o bico fino, escuro e levemente curvo, pernas e cauda curtas, e sua coloração em geral segue o seguinte esquema: a garganta cinzenta, o peito e abdome amarelo-limão, o dorso vai do amarronzado ao cinza-chumbo escuro, e na cabeça, preta, destaca-se uma larga risca branca superciliar. 

              Pelo seu aspecto muitos a comparam a um bem-te-vi em miniatura. As várias subespécies podem ter coloração ligeiramente variada, mas há algumas inteiramente negras, enquanto outras podem ter menos cores ou cores menos definidas. 

DIMORFISMO SEXUAL:
              Não existe dimorfismo sexual significativo, salvo alguma variação nos tons das cores: a cabeça das fêmeas pode ser mais escura, o papo mais claro e o ventre de um amarelo mais oliváceo. 
              Os exemplares jovens têm cores mais opacas que os adultos.

              A cambacica foi denominada e descrita pela primeira vez como Certhia flaveola por Lineu em 1758, em sua obra Systema Naturae. 

              Em 1809 Louis Vieillot a reclassificou como a única espécie do Gênero Coereba, permanecendo assim até 2005, mas atualmente não há mais consenso em sua classificação, embora o Integrated Taxonomic Information System - ITIS ainda tenha a antiga como válida.

              Alguns autores hoje consideram o Gênero Coereba um taxon obsoleto e o colocam provisoriamente nas Famílias Fringillidae, Emberizidae ou Thraupidae, e para a American Ornithologists' Union a espécie não tem uma localização taxonômica definida.

              Ainda não é claro se as muitas subespécies insulares devem ser ou não elevadas a espécies, mas estudos filogenéticos revelaram a existência de três clades distintos:
 
o grupo da Jamaica, Hispaníola e Ilhas Cayman, 
o grupo das Bahamas e Quintana Roo, 
e o grupo das Américas do Sul e Central, México (exceto Quintana Roo), Antilhas Menores e Porto Rico.

              Vários taxa ainda não têm amostras, mas em sua maioria são facilmente colocáveis em alguns dos clades acima citados, a partir de critérios puramente zoogeográficos. 
              Exceções são as subespécies oblita (Ilha de San Andrés) e tricolor (Ilha Providência), cuja situação é incerta.

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA:
              Segundo a IUCN a Cambacica é nativa dos seguintes países e territórios: 
Anguilla; 
Antigua e Barbuda; 
Argentina; 
Aruba; 
Bahamas; 
Barbados; 
Belize; 
Bolívia; 
Brasil; 
Ilhas Cayman; 
Colômbia; 
Costa Rica; 
Cuba; 
Dominica; 
República Dominicana; 
Equador; 
Guiana Francesa; 
Granada; 
Guadalupe; 
Guatemala; 
Guiana; 
Haiti; 
Honduras; 
Jamaica; 
Martinica; 
México; 
Montserrat; 
Antilhas Holandesas; 
Nicarágua; 
Panamá; 
Paraguai; 
Peru; 
Porto Rico; 
Saint Kitts and Nevis; 
Santa Lúcia; 
São Vicente e 
Granadinas; 
Suriname; 
Trinidad e Tobago; 
Ilhas Turks e Caicos; 
Estados Unidos; 
Venezuela; 
Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Virgens Americanas. 

              É entretanto mais comum na área que vai do sul do México até o norte da Argentina, em zonas de baixa altitude, e raramente ocorre em montanhas. 

              A densidade populacional nas áreas de ocorrência varia muito; na Florida e Cuba é vista apenas ocasionalmente, assim como na Amazônia e no Pantanal brasileiros, mas em Porto Rico é a ave mais comum. 

HABITATS:
              Seus habitats também são muito diversificados, sendo encontrada desde nas florestas tropicais e algumas áreas desérticas até nas zonas urbanas e áreas de grande degradação ambiental. 
              Graças à sua grande população e adaptabilidade, a Cambacica não é considerada uma espécie ameaçada.

              A Cambacica é conhecida por ser um pássaro ágil e irrequieto, tendendo a apresentar hábitos solitários e nômades. Não parece ser territorial, nem os machos disputam fêmeas com outros machos. 

              Em zonas habitadas pelo homem desenvolve muita familiaridade para com este, permitindo aproximação a pouca distância, chegando inclusive a penetrar em residências em busca de alimento. 

REPRODUÇÃO:
              Machos e fêmeas que não estão envolvidos na procriação constroem ninhos individuais para pernoite, de forma aproximadamente esférica e com uma entrada baixa e larga, usando grama, folhas, penas, teias de aranha, fibras vegetais, incluindo às vezes materiais fabricados pelo homem, como papéis, plástico e cordões, numa organização frouxa. 

              Sua confecção leva de duas a quatro horas.

              Antecede a reprodução uma corte realizada pelo macho, que canta em torno de seu próprio ninho e o da fêmea com que pretende acasalar. 

              Quando a fêmea aceita a corte, desenvolve-se um ritual que inclui inclinações do corpo, meneios com a cabeça, raspagem e voo em várias direções. 

              Depois do acasalamento inicia a construção do ninho de procriação, mais complexo do que o ninho individual e cujo material é providenciado pelo macho. 

              Sua construção se estende por seis a oito dias; é mais alto e mais bem acabado, tem paredes mais espessas e uma entrada bem menor, voltada para baixo, protegida por um longo alpendre que se aproxima da entrada e a veda completamente. 

              Entretanto, há bastante variação nas estruturas. 
              Uma pesquisa de Wunderle e Pollock indicou que a Cambacica prefere construir seu ninho em proximidade de ninhos de vespas, que lhe proporcionam uma proteção adicional. 

              Enquanto a fêmea está ocupada, o macho mantém uma atitude protetora e permanece próximo. 
              Depois que os ovos são postos o macho perde seu interesse, passando a viver em seu próprio ninho e cortejando outras fêmeas.

              Embora as formas de reprodução possam variar ligeiramente entre as subespécies, tipicamente a Cambacica constrói um ninho em que põe de um a três ovos de cor branco-creme, às vezes de tom rosado e com pintas marrons. 


              Em geral ocorrem várias nidificações em um ano, transcorrendo um período de cinco meses dedicado à alimentação dos filhotes. 

              Em algumas regiões a nidificação está sincronizada com as primeiras chuvas da estação úmida.
              A chocagem dos ovos e alimentação e proteção da prole são realizados quase exclusivamente pela fêmea.

HÁBITOS ALIMENTARES:              
              A Cambacica é frequentemente comparada ao beija-flor pelo seu hábito de se alimentar do néctar das flores, sua principal fonte de nutrição. 
              Para chegar ao alimento a Cambacica desenvolveu grande habilidade acrobática, sendo vista muitas vezes pendurada de cabeça para baixo. 

              Apesar de se alimentar nas flores, a Cambacica não é um grande polinizador, pois em geral consegue o néctar perfurando a base ou a lateral da flor com seu bico agudo, permitindo que a língua atinja os nectários sem tocar nos estames e pistilos. 
              Mas age como agente fecundante em alguns casos, a exemplo de espécies de bromélias, combretáceas e a solanácea Goetzea elegans. 

              A simples pilhagem de néctar feita pela cambacica, sem polinizar a flor, não parece representar um prejuízo para a propagação das espécies vegetais assaltadas, permitindo a efetiva fecundação por outros agentes.

              Além do néctar ela também ingere frutas e pequenos artrópodes como aranhas e formigas. No Caribe ela pode chegar a causar significativo prejuízo nas culturas de frutas.

              Na hora da alimentação a cambacica pode se reunir em grupos e conviver com outras aves, mas as disputas de precedência não são raras.

FOTOS QUE IDENTIFICAM A ESPÉCIE:



























JISOHDE FOTOGRAFIAS

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